Arquitetura Pós-Terremoto

Arquitetura Pós-Terremoto

Você já parou para pensar em como as comunidades, vilarejos e cidades são reconstruídos depois de desastres naturais como tsunamis, furacões e terremotos? E mais do que isso, como se preparam para que quando o próximo desastre vir a acontecer, o impacto seja menor? Em Cuiabá, assim como em boa parte do Brasil, não somos acometidos com esses desastres, o que mais acarreta em perdas na silhueta urbana são crimes ambientais ou desmoronamentos – algo muito comum nos meses de chuva mais intensa em estados como o Rio de Janeiro.

Mas isso é um assunto para outro dia, nosso foco hoje é no papel que um arquiteto pode desenvolver em uma cidade depois que um abalo sísmico passa por ela. É um trabalho conjunto com vários profissionais como bombeiros, policiais, exército, engenheiros e voluntários. Ao mesmo tempo que as buscas por pessoas estão acontecendo, o planejamento da reconstrução da cidade também já está sendo pensado.

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A destruição de um edifício no México após o terremoto de 2017. Imagem: ArchDaily

E esse momento exige muita cautela e análise, é necessário vistoriar os edifícios da cidade para saber o quanto a estrutura foi comprometida ou se ele está liberado para ser reocupado por moradores.

Em cidades que desastres naturais são mais comuns, o trabalho do arquiteto é prevenir. Pensar em estruturas e soluções que vão aguentar e permitir que os moradores tenham um mínimo de segurança quando abalos sísmicos acontecerem. No Japão, é comum que parte da sua estrutura se mantenha intacta após um terremoto, graças aos amortecedores eletrônicos ou de molas, que permitem que o prédio balance para os lados e não caia. O país, hoje, é considerado o mais bem preparado quando o assunto é este.

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Imagens: Constru360.com.br

Já no México, em 2017, onde um abalo sísmico de magnitude de 7,1 ocorreu, diversas iniciativas surgiram para solucionar de forma rápida e eficaz a situação, que podem servir como ponto de partida para outros países.

Entre elas, a parceria do colégio de Arquitetos com a SEDUVI (Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Moradia) e a equipe local do Google, para coordenar os trabalhos. A comunidade acadêmica também se uniu e diversas universidades lançaram capacitações ou projetos que auxiliassem as vítimas do terremoto, fosse por meio de moradias temporárias ou contribuições para projetos. Além destes, o Salva Tu Casa MX foi criado para facilitar o trabalho de vistoria dos edifícios, por meio de um aplicativo a população podia avisar arquitetos e engenheiros a situação de algum lugar e, estes por sua vez, repassavam para o governo.

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Imagem: ArchDaily

Diversos arquitetos já tiveram a oportunidade de ganhar prêmios como reconhecimento pelo trabalho realizado em prol de uma comunidade afetada, como é o caso do japonês Shigeru Ban, que utilizou materiais como papel e papelão em construções para auxiliar desabrigados pós-desastres naturais, ou refugiados. 

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Sistema 4 de Partições de Papel - Japão, 2011 | Arquiteto Shigeru Ban – Imagem ArchDaily

Também na Ásia, um projeto de reconstrução pós-terremoto foi nomeado como edifício do ano, em 2017, por desenvolver um método com taipa que resiste a abalos sísmicos, e que pode ser replicado em vários países, e economicamente falando é viável também.

No Brasil, as construções não possuem uma boa estrutura para abalos sísmicos, levando em conta que boa parte delas são de concreto e sem uma base apropriada para movimentos bruscos.